28.4.06

(a)braços



......................................................
prefiro que te guardes nesse espaço
onde a noite penetra levemente
pelas fendas das árvores abertas,
......................................................

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Alexandre Franco Alexandre, Duende
Assírio & Alvim, 2003, pág.42

luzes na noite: pirilampos citadinos

.::. LED Throwies .::.
an inexpensive way to add color to any ferromagnetic surface in your neighborhood ..: throw it up high ..: alter your surroundings

25.4.06

pérolas de tradução



you can kiss my black ass
/ vá dar sangue

as portas que abril abriu



Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

_
Sophia de Mello Breyner Andresen

desesperadamente à procura de uma fonte

// Identifont /
identify a font


um directório online de tipos de letra, que permite identificar uma fonte a partir de uma amostra.

escoliose ornamental



~ Nicole Tran Ba Vang ~
série Collection Croisière Printemps/Eté 2002, Mauboussin

21.4.06

uma coisa em forma de despertador

{{{ citrus alarm clock }}}
 wake up to your own music

sentir a brisa debaixo dos pés



/ descobrir que um cartão desmagnetizado pode provocar divagações sobre as necessidades fisiológicas dos trabalhadores das portagens.

19.4.06

glossário tipográfico: corpo de letra

Bigode
Filete ornamental cuja espessura aumenta no centro e que tem como função separar textos, imagens, fotografias, etc.

Boca
Parte de algumas máquinas que trabalham com o papel, como a cisalha, a picotadeira, a guilhotina.
Vão situado entre a lombada e os cadernos cosidos da encadernação, que os livros de lombada saliente apresentam.

Cabeça
Parte superior da página, podendo conter alguma informação.

Coluna
Espaço em que se divide, verticalmente, a grelha de composição de uma página.

Corpo
Tamanho do tipo de letra medido em pontos.

Lombo
Margem interior de uma página, localizada entre a lombada e a mancha.

Mão
Grupo de cinco objectos iguais, ou de vinte e cinco folhas de papel (cinco cadernos).

Miolo
Conjunto de folhas que constituem o interior de um livro ou publicação.

Orelha
Extensão das capas ou sobrecapas de um livro que se dobram para o interior.
O mesmo que badana, aba, solapa e bandeira.

Patilha
Pequeno traço transversal que remata as hastes verticais de alguns caracteres.


Margem inferior de uma página impressa. Também se denomina pé, à parte inferior de uma letra.

RostoPágina de uma obra onde figura o título, o autor, o editor, o local e a data de publicação.

18.4.06

np: duas e trinta: sleeping




Murcof // Camino
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Remembranza, 2005

roma na tv: sangue, suor e hidromel



E os homens virtuosos, Brutus, Cassius, Casca, não param, também eles, de transpirar, dando assim testemunho do enorme trabalho fisiológico que neles opera a virtude de onde se vai gerar um crime. Suar é pensar (o que se baseia evidentemente no postulado, bem típico de um povo de homens de negócios, segundo o qual pensar é uma operação violenta, um cataclismo, de que o suor é o menor dos signos).

_
Roland Barthes, Mitologias
Círculo de Leitores, 1987, pág. 27–28

15.4.06

um quarto japonês num hotel dinamarquês



:: Kinpro ::wa :: room 404 :::: hotel fox

61 quartos :: 21 artistas :: milideias

13.4.06

apmonia


© Henri Cartier-Bresson, 1964

Não era com a intenção de vir a ter um coração como o de Neary que Murphy tinha ido colocar-se a seus pés, até porque tinha a impressão de que um órgão daqueles não poderia tardar a ser funesto para um homem da sua têmpera, mas apenas com a esperança de obter para o seu um pouco dessa virtude a que Neary, nessa altura um pitagórico, chamava Apmonia. Porque Murphy tinha um coração tão irracional que entre ele e o da Faculdade não havia a menor medida comum que se visse. Inspeccionado, palpado, auscultado, não deixava nada a desejar, era um coração muito bom. No entanto, mal o preparavam para ser usado e o deixavam cumprir as suas funções, passava a agir como Petruchka na prisão, ora esforçando-se tanto que Murphy se sentia tentado a acreditar que ia parar, ora entrando em tal estado de ebulição que Murphy era levado a recear que estivesse prestes a explodir. Ora, era justamente à intercessão desses dois extremos, para só falarmos de dois, que Neary chamava então Apmonia. Quando se fartava de lhe chamar Apmonia, chamava-lhe Isonomia. Quando se fartava de lhe chamar Isonomia, chamava-lhe Harmonia. Mas, como quer que lhe chamasse, no coração de Murphy é que isso não entrava. Neary não podia conciliar os contrários no coração de Murphy.

_
Samuel Beckett, Murphy
Assírio & Alvim, 2003, pág. 11

9.4.06

np: vinte e três e cinquenta




Jaga Jazzist // Stardust Hotel
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What We Must, 2005

o espaço na leitura

Certos livros não requerem apenas um contraste entre o seu conteúdo e o ambiente que os rodeia: parecem também exigir posições específicas para serem lidos, posturas do corpo do leitor que, por seu turno, requerem lugares de leitura apropriados a essas posturas. Com frequência, o prazer obtido com a leitura depende em grande medida do conforto físico do leitor.

Quer escolhamos primeiro o livro e depois um canto apropriado, quer encontremos primeiro o canto e depois decidamos que livro se adequa ao ambiente do canto, não há dúvida de que o acto da leitura no tempo requer um acto correspondente de leitura no espaço e que a relação entre os dois actos é indissociável.

Há livros que leio em sofás e outros que leio à secretária; há livros que leio no metro, em eléctricos e autocarros. Encontro nos livros que leio em comboios uma natureza semelhante à dos que leio num sofá, talvez porque, em ambos, me posso abstrair facilmente do que me rodeia. A melhor altura para ler um bom conto», observou o romancista inglês Alan Sillitoe, «é na verdade, quando se viaja sozinho de comboio. Com estranhos à volta e uma paisagem desconhecida (para a qual se olha de vez em quando) a desfilar aos nossos olhos pela janela, a vida interessante e complicada que vem das páginas possui os seus próprios efeitos peculiares e duradoiros».

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Alberto Manguel, Uma História da Leitura
Editorial Presença, 1998, pág. 161

7.4.06

o tempo na leitura

À semelhança do próprio acto de ler, uma história da leitura avança aos saltos para o nosso tempo - até mim e às minhas experiências como leitor - e depois regressa a uma página anterior num século distante e estrangeiro. Salta capítulos, lê ao acaso, selecciona, relê, recusa-se a seguir a ordem convencional.
Paradoxalmente, o receio que está na origem da oposição entre leitura e vida activa, e que levava a minha mãe a mandar-me trocar a cadeira onde me sentava e o livro que estava a ler pelo ar livre, esse mesmo receio reconhece uma verdade solene: «Não se pode embarcar de novo na vida, nessa viagem única, uma vez terminada», escreve o romancista turco Orhan Pamuk em The White Castle, «mas se tiver um livro nas mãos, por mais complexo ou difícil de compreender que seja, quando o terminar, pode, se quiser, voltar ao princípio, lê-lo novamente e assim compreender aquilo que achou difícil e, ao mesmo tempo, compreender também a vida».

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Alberto Manguel, Uma História da Leitura
Editorial Presença, 1998, pág. 36

5.4.06

preenche-me



_// caderno / toalha de mesa

quinto caderno das publicações serrote / concebido para aqueles que têm por hábito rabiscar as toalhas dos restaurantes

dimensões / 17 cm x 11,5 cm
capa / CLA 250g
miolo / 40 folhas de papel toalha de mesa de 60 gramas

4.4.06

extra! extra!

~* MATINÉS *~
bom cinema também à tarde
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Após seis meses de sucesso com as sessões diárias no Cinema Oita (às 22 horas), o Cineclube de Aveiro propõe agora a realização de duas matinés semanais.
Assim, a partir de 12 de Abril, o Cineclube Cinema Oita vai contar com nove sessões semanais: sete diariamente às 22 horas e duas matinés suplementares às quartas e sábados, pelas 18 horas.

A partir do dia 13 de Abril, as quintas-feiras no Cineclube Cinema Oita vão ser dia de DVD. Durante dez semanas vão ser oferecidos, entre os espectadores, 10 DVD de filmes de culto de realizadores como Alain Resnais ou Lars von Trier.
Assim, basta assistir a um grande filme no cinema para ainda se poder habilitar a levar um DVD original para casa.

tertúlia em lisboa